O que arrasta hoje, tal qual eu subisse uma estrada íngrime e irregular, na qual cada certeza resvala como as pedras que se desprendem com o pesar da sandália. É que o amor ainda te faz só. E a falta de liberdade torna tudo insuportável. A consciência de estar só é abrasadora, e não há recurso a divindade. A sua consciência determina seu destino, ainda que reneges a consciência e a racionalidade, ainda que desejes ser uma planta, estirada ao sol e chuva e as verdadeiras sensações do corpo. A dor psicológica é fruto da racionalidade, eu abriria mão da racionalidade se com ela eu também abrisse mão de tal dor. Ando desiludida da idéia dos outros, do próximo, e uma vez mais me recolho a idéia da caverna. Às vezes acho que pertenço a tal caverna, ou a uma alcatéia perdida, não por ser especial, mas o oposto, por ser extremamente ordinária. O acho por desejo de simplicidade ser tomado por tamanho absurdo, quero poder ter sede e beber água, em qualquer circunstância, e que todos possam fazer o mesmo sem agregar qualquer ofensa nesse ato.
Posso estar completamente errada, mas é honesto meu desejo.